O fim do PIS e da COFINS: o que muda na prática?

Entre as diversas alterações promovidas pela Reforma Tributária, uma das mais relevantes para o ambiente empresarial envolve a substituição gradual do PIS/Pasep e Cofins pela CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços. Embora a implementação do novo modelo ainda seja progressiva e alguns de seus aspectos operacionais continuem em fase de regulamentação, o tema já […]

Entre as diversas alterações promovidas pela Reforma Tributária, uma das mais relevantes para o ambiente empresarial envolve a substituição gradual do PIS/Pasep e Cofins pela CBS, a Contribuição sobre Bens e Serviços.

Embora a implementação do novo modelo ainda seja progressiva e alguns de seus aspectos operacionais continuem em fase de regulamentação, o tema já exige atenção das empresas em razão dos impactos operacionais, financeiros e estratégicos relacionados à nova tributação sobre o consumo.

Isso ocorre porque o PIS e a COFINS ocupam hoje uma posição central na estrutura tributária federal incidente sobre as atividades econômicas.

Por que PIS e COFINS sempre foram considerados tributos complexos?

O sistema atual de PIS e COFINS é frequentemente apontado como uma das estruturas mais complexas do sistema tributário brasileiro.

Ao longo dos anos, foram criados diferentes regimes de apuração, inúmeras hipóteses de creditamento, exceções setoriais e interpretações administrativas e judiciais que tornaram a aplicação prática dessas contribuições extremamente sofisticada.

Esse cenário frequentemente gera elevados custos de conformidade; insegurança jurídica; discussões sobre créditos tributários; dificuldades operacionais e o aumento de litígios.

Por essa razão, para muitas empresas, a gestão dessas contribuições exige acompanhamento técnico permanente.

O que muda com a CBS?

A CBS foi instituída no contexto da simplificação da tributação sobre o consumo.

Ela substituirá o PIS e a COFINS dentro de uma lógica mais uniforme de tributação sobre o consumo, baseada na não cumulatividade e, em regra, no aproveitamento mais amplo de créditos tributários.

A proposta busca reduzir, assim, distorções e tornar a tributação mais transparente ao longo da cadeia econômica.

A transição já teve início em 2026, considerado o ano-teste do novo sistema. Nesse período, a CBS tem alíquota de 0,9% e o IBS de 0,1%, com regras específicas de compensação e de dispensa de recolhimento vinculadas ao cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação. A partir de 2027, PIS/Pasep e Cofins serão extintos, com a entrada da CBS no novo regime de tributação.

Em termos práticos, a intenção é aproximar o sistema brasileiro de modelos internacionais de IVA (Imposto sobre Valor Agregado).

Isso significa redução automática da carga tributária?

Não necessariamente.

Isso porque os impactos da reforma poderão variar conforme o setor econômico, a estrutura operacional de cada empresa, a cadeia de fornecedores, os modelos de contratação e, ainda, a possibilidade de aproveitamento de créditos.

Nesse sentido, enquanto alguns segmentos poderão perceber ganhos de eficiência e racionalização operacional, outros poderão enfrentar aumento de custos ou necessidade de reorganização estratégica.

Por isso, a análise dos efeitos da reforma exige cautela e avaliação individualizada.

Quais impactos as empresas já deveriam observar?

Durante a fase de implementação da CBS, as empresas já precisam avaliar os reflexos relacionados a:

  • revisão contratual;
  • precificação;
  • estrutura de custos;
  • sistemas fiscais e contábeis;
  • aproveitamento de créditos;
  • reorganização operacional.

Além disso, a convivência temporária entre o sistema atual e o novo modelo tributário exige adaptação gradual e acompanhamento técnico constante.

Por que esse tema merece atenção desde já?

A substituição do PIS e da COFINS não representa apenas uma troca de nomenclatura tributária.

A CBS representa uma alteração relevante na lógica de tributação sobre o consumo, com potencial para modificar dinâmicas operacionais, financeiras e estratégicas das empresas.

Em um cenário de transição tributária ampla e gradual, acompanhar essas mudanças tende a se tornar uma medida importante de previsibilidade, planejamento e governança empresarial.

A equipe tributária do escritório Alves Benedito Advogados está à disposição para acompanhar os desdobramentos da Reforma Tributária e auxiliar empresas na avaliação de seus impactos operacionais, financeiros e estratégicos.

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